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ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICA DE UM EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO NA CIDADE DE SALVADOR: UM ESTUDO DE CASO, RESIDENCIAL VIVVER ULYSSES

Ivonei Souza ¹

Maria Carolina Oliveira de Araújo ²

Regina Jacqueline Brandão de Jesus ³

 

RESUMO: Este estudo de caso tem como objetivo realizar a análise da viabilidade econômica de um empreendimento imobiliário de baixo padrão, que será incorporado por uma empresa de médio porte da área da construção civil. A viabilidade econômica é a análise de alguns indicadores calculados em cima da projeção da receita de venda do empreendimento, a projeção de custo para execução da obra, projeção do fluxo de caixa, projeção das despesas necessárias do projeto e quanto seria a exposição de capital da empresa. Após o estudo, o incorporador conseguirá analisar todos os riscos a serem assumidos, identificar se o potencial de rentabilidade, a taxa de retorno do investimento e o payback do empreendimento estão dentro dos padrões exigidos pela diretoria da empresa, tornando a tomada de decisão menos arriscada.

Palavras-chave: Viabilidade econômica; investimento; empreendimento; fluxo de caixa; payback; taxa interna de retorno.

 

1.  INTRODUÇÃO

Todo projeto nasce com o objetivo de atender necessidades, seja de um novo produto, serviço ou para inovar métodos já existentes. Tem como principal intuito trazerresultados inovadores em um prazo definido. Deve-se levar em consideração que todas empresas trabalham com recursos escassos, seja humano, de matéria prima ou financeiro. Com isso, antes de todo e qualquer investimento, faz-se necessário considerar os riscos envolvidos ao longo de sua execução(PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE, 2013). Em um empreendimento imobiliário não é diferente, há um resultado exclusivo a ser alcançado com o fator recurso limitado sendo potencializado. Os investimentos, sobretudo financeiros, para a implementação desse tipo de projeto são extremamente elevados, fazendo com que os prejuízos causados devido ao seu fracasso sejam também de mesma proporção.  

​Nesse contexto, o estudo de viabilidade econômica torna-se de fundamental importância para analisar e minimizar os riscos envolvidos no projeto, trazendo embasamento para justificativa de tal investimento, que associados a experiência do investidor podem potencializar as probabilidades de sucesso do empreendimento.

Este trabalho tem como objetivo geral analisar da perspectiva da empresa a viabilidade econômica do empreendimento imobiliário Residencial Vivver Ulysses. Para alcança-lo, as etapas a serem seguidas serão: investigar pesquisas do mercado imobiliária na região; identificar os dados internos da construtora e aplicar métodos e ferramentas de análise da engenharia econômica. Dessa forma, acredita-se ser capaz de direcionar à tomada de decisão do investimento.

O empreendimento em questão fica localizado na cidade de Salvador-BA no bairro de Sussuarana, localidade onde foi observada uma ótima oportunidade para o segmento residencial devido à proximidade de pontos estratégicos da cidade, além da alta concentração de pessoas em bairros adjacentes.

O bairro de Sussuarana possui uma população total de 28.809 habitantes, de acordo com o último censo (IBGE, 2010). possui entre seus principais equipamentos de educação pública o Colégio Estadual Bolívar Santana, o Colégio Estadual Ruth Pacheco, o Colégio Municipal Eraldo Tinoco que juntos proporcionam aos seus alunos (Crianças, Jovens e Adultos) a possibilidade de cursarem todas as etapas de ensino. Porém, foi listado como um dos bairros mais perigosos de Salvador.

 

2. REFERENCIAL TEÓRICO

A presente pesquisa obteve seu suporte teórico a partir do diálogo com os autores, com isso, a revisão da literatura se consolida como a estrutura do trabalho, sendo a fonte para se atingir os objetivos pré-estabelecidos.

 

2.1 Análise de investimento

Considera-se que a análise de um investimento é uma arte, pois, apesar das técnicas desenvolvidas, não há nenhum critério ou metodologia formal de análise válido para diferentes situações e aceitos unanimemente pelos analistas, dessa forma, é impossível sugerir uma sequência metodológica ou um instrumento científico capazes de fornecer diagnósticos sempre precisos às empresas (ASSAF NETO, 2010).

Dessa forma, cada análise deve ser única, trabalhada exclusivamente com base na realidade presenciada. De acordo com Duarte (2005), as incertezas estão sempre presentes, porém, o diferencial entre bons e maus investimentos está na análise de dados. A matemática financeira atual é capaz de projetar diferentes cenários, nos quais a dúvida acaba por setornar uma medida numérica, passível de ser trabalhada de forma racional em um investimento.

Segundo Gitman e Joehnk (2004), investimento pode ser definido como qualquer instrumento que os fundos possam ser aplicados com a expectativa de rendimento positivo ou de preservação de valor. Tendo em vista que a análise de viabilidade econômica ajuda a prever riscos e diminuir as incertezas do projeto, tal análise além de maximizar o valor do projeto é essencial para se aumentar o potencial de ganhos do investimento realizado.

De acordo com a bibliografia de Goldman (2015), antes de investir em determinado ativo, deve-se comparar os prováveis retornos que serão proporcionados por este investimento com o de outros negócios disponíveis. Samanez (2009) complementa ao afirmar que a análise de investimento de capital requer além de um certo raciocínio econômico, uma projeção das condições futuras do projeto.

Para tanto, algumas ferramentas e métodos que vão além das demonstrações financeiras normais, são fundamentais no processo de tomada de decisão, devido aos riscos e incertezas que estão atrelados aos projetos de investimento. Samanez (2009) sugere que o valor de um projeto depende de seu potencial de gerar ganhos financeiros. Tendo em vista a alta competitividade do mercado atual, em que as empresas buscam cada vez mais a otimização de seus processos para obter competitividade no mercado.

Avaliar a viabilidade econômico-financeira de um investimento é reunir argumentos e informações para construir os fluxos de caixa esperados em cada um dos períodos da vida desse investimento e aplicar técnicas que permitam evidenciar se as futuras entradas de caixa compensam a realização do investimento (SOUZA, 2007 p. 53).

Dessa forma, verifica-se que instrumentos de análise financeira auxiliam na tomada de decisão, levando-se em consideração que investimentos em imóveis, por exemplo, demandam um valor consideravelmente elevado de capital, caracterizando risco de prejuízo. Leva-se em consideração que o período de longo de prazo, modelo adotado por esse tipo de negócio, aumenta consideravelmente os riscos de mudanças do ambiente mercadológico.

Bordeaux-Rego (2009) destaca alguns dos métodos mais utilizados por analistas de investimento, como o  PaybackDescontado (PDB), o Valor Presente Líquido (VPL), a Taxa Interna de Retorno (TIR), o índice de Lucratividade (IL) e a Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Os próximos capítulos se concentrarão em melhor explicar os métodos VPL, TIR e PDB.

 

2.2 Método do valor presente líquido (VPL)

O método do valor presente líquido (VPL) é um dos mais utilizados para análise de investimento, pois além de levar em conta a variação do dinheiro no tempo, seus resultados são dados em unidades monetárias, proporcionando uma boa visão para o investidor do quão rentável é o projeto tendo por base a taxa mínima de atratividade  da empresa. Essa metodologia visa trazer para o presente os fluxos de caixa do futuro, dando assim uma estimativa real da possível rentabilidade do projeto ao longo de sua vida útil, como pode-se constatar a partir da Equação (1) (SAMANEZ, 2009).

 

  (1)

 

Sendo:

 

Fc1: Fluxo de caixa no t- ésimo período;

I: Investimento inicial;

K: É o custo de capital ou taxa mínima de atratividade (TMA);

j: tempo de desconto de cada entrada de caixa;

n: tempo de desconto do último fluxo de caixa.

 

Samanez (2009), também explica que como o valor presente líquido (VPL) leva explicitamente em conta o valor do dinheiro no tempo, é considerado uma técnica sofisticada de orçamento de capital. Ferreira (2017), destaca o valor presente líquido (VLP) como um método que se baseia na comparação entre fluxos diferentes, ajustados para valores atuais, descontados pela taxa mínima de atratividade (TMA).

De acordo com Ferreira (2017), entende-se que o projeto que apresenta VPL positivo gera o retorno exigido pelo investidor e por esta razão deve ser aceito, já se o VPL for negativo o projeto deverá ser refutado. Já para aceitação de um projeto a partir do cálculo da TIR, a mesma deverá ser maior que o retorno exigido pelo investimento, ou seja, deve-se compará-la a TMA. Caso a TIR seja menor que a TMA o investimento deverá ser descartado. Explica-se melhor a TIR no subtópico abaixo.

 

2.3 Método da taxa interna de retorno (TIR)

A taxa interna de retorno (TIR) é um indicador que tem como objetivo simular uma taxa de rendimento para o qual o valor presente líquido é igual a zero, para que o projeto seja viável, é necessário que a taxa interna de retorno seja maior que a taxa mínima de atratividade (SAMANEZ, 2009). A relação entre a TIR e a TMA torna-se clara a partir da Figura 1abaixo, sendo a taxa de desconto a TMA da empresa:

 


Figura 01 – gráfico taxa de desconto x valor presente líquido 

gráfico taxa de desconto x valor presente líquido

Fonte: SAMANEZ (2009, p. 38)

Ferreira (2017) analisa a TIR como um método que iguala o VPL a zero indicando um ponto de equilíbrio. Todo projeto cuja taxa de retorno seja superior à taxa mínima de rentabilidade que o dirigente da empresa exige para seus investimentos é interessante. Para uma analise mais detalhada, também é importante se destacar o payback descontado, o qual será melhor explicado no subtópico abaixo.

 

2.4 Método do payback descontado (PBD)

O payback descontado (PBD) visa calcular o tempo de retorno do investimento realizado, levando em conta o valor do dinheiro no tempo. Seguindo o mesmo critério do VPL, traz para o presente o valor de fluxos de caixa estimados para o futuro, assim dando ao investidor a noção do tempo necessário para que os retornos financeiros se igualem aos gastos com o projeto caracterizando o retorno do investimento (SAMANEZ, 2009).

De acordo com Ferreira (2017), o payback descontado é definido como o número de anos exigidos para recuperar o investimento a partir de fluxos de caixa líquidos descontadoApesar de os métodos do payback descontado e payback simples apresentarem resultados distintos, eles possuem os mesmos critérios para aceitação ou rejeição do projeto.

Conforme se entende em Samanez (2009), a limitação desse método consiste em se determinar uma linha de corte, onde se corre-se grande risco de escolher uma má linha de corte e, ainda, ao desconsiderar os fluxos de caixa futuro, os métodos do payback podem deixar de dar atenção a relevantes entradas ou saídas de capital após a linha de corte.

Dessa forma, verifica-se a necessidade de avaliar os melhores métodos para se constituir a análise financeira, com isso, pode-se garantir maiores probabilidades de sucesso na arte da viabilidade dos investimentos. No tópico abaixo, apresenta-se a metodologia que foi utilizada para compor a presente pesquisa.

 

3. METODOLOGIA

Segundo Marconi e Lakatos (2003) a pesquisa é um procedimento formal com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico, sendo um caminho para conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais.

No referido artigo se utiliza da pesquisa descritiva pra atingir os objetivos. De acordo com Gil (2002), essa tipologia auxilia a descrever determinada população ou fenômeno,utilizando-se técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como questionários e observações sistemáticas. Já as pesquisas exploratórias têm como finalidade proporcionar uma maior familiaridade com o problema visando torná-lo mais explícito, aprimorando ideias e a descoberta de intuições.

A abordagem da pesquisa será tanto quantitativa quanto qualitativa pois além de conter elementos matemáticos, será importante a análise de fatores estratégicos para a fundamentação da tomada de decisão. Para o atingimento do objetivo geral, a metodologia de pesquisa irá seguir uma sequência de etapas ordenadas de acordo com a Figura 2.

 

Figura 02: Sequência de atividades

Sequência de atividades

Fonte: Autores, 2020

 

A escolha do Residencial Vivver Ulysses, deu-se mediante interesse pessoal da pesquisadora e por possuir proximidade com diretores e investidores do empreendimento, o que acabou por facilitar o acesso às informações necessárias para desenvolvimento e conclusão da pesquisa.

A pesquisa de mercado utilizada no trabalho foi formulada por uma empresa especializada de Análise de Mercado, contratada pela construtora para análise do produto e da sua localização. O orçamento, cronograma e as despesas diretas e indiretas foram formulados pelo setor de planejamento da construtora, com base na tabela Sinapi 2019 e dados internos da empresa. A definição do público-alvo e sua renda foi elaborado a partir do histórico de vendas de outros empreendimentos da construtora, com o mesmo perfil de produto e próximo a localização deste empreendimento.

A avaliação dos imóveis é baseada na pré-avaliação da Caixa Econômica Federal (CEF), instituição financeira que a construtora normalmente financia seus empreendimentos. O modelo de negócio utilizado é o “Financiamento Associativo Apoio A Produção”. A Tabela de Vendas é formulada utilizando a pré-avaliação do banco como base dos valores e ovalor de mercado de empreendimentos concorrentes. São definidos diferentes parâmetros de pagamentos (parcelas mensais, parcelas semestrais e parcelas de entregas de chaves) com base no histórico e perfil do cliente.

A determinação dos cenários de vendas pessimista, mais provável e otimista, foram baseadas no histórico da velocidade de vendas do empreendimento da mesma linha do produto e da mesma localização. Assim como o fluxo de caixa, o cronograma físico financeiro, as despesas relacionadas a comercialização e os custos de administração. Após o levantamento de todos os dados se utilizou o Software Viabil,que é um sistema de referência de viabilidade econômico-financeira para empreendimentos imobiliários, possibilita simular cenários e identificar entre eles o de melhor rentabilidade através das análises dos indicadores econômicos, a sensibilidade do empreendimento a partir da variação da taxa de atratividade, a variação da taxa de desconto, o cenário em que o payback é mais rápido, entre outras analises. Permitindo afirmar se o investimento é considerado viável ou não conforme os parâmetros estabelecidos pela construtora.  

A partir da obtenção das informações do projeto que serão concedidos pela empresa, e aplicação dos métodos de avaliação de investimento bem como a análise de cenários através do software Viabil, espera-se obter dados que irão justificar o investimento a ser realizado, e consequentemente aviabilidade do projeto.

No próximo capítulo, apresenta-se a partir dos dados obtidos a análise desenvolvida com base nos métodos apresentados: VPL, TIR e PDB.

 

4. Análise do Empreendimento

Os investimentos, principalmente no setor da Construção Civil, que exigem altos recursos para edificação, envolvem riscos financeiros. A fim de fundamentar decisões sobre investimentos nesse setor, é recomendável a realização de análise prévia através de critérios de viabilidade econômica, porém, verifica-se que há pouco material específico e direcionado ao setor imobiliário, com isso, estudos voltados para essa temática se fazem importantes.

4.1 Investimento Escolhido

O Empreendimento estudado é um residencial localizado no bairro Sussuarana, em Salvador. O edifício é de padrão médio, possui 04 torres com 12 pavimentos e 01 torre com 11 pavimentos. Cada andar possui 08 unidades habitacionais, totalizando 472 apartamentos. O terreno é predominantemente plano. As características completas do empreendimento podem ser vistas na quadro 01.

Quadro 01: Características Geral do Empreendimento

Área do Terreno

Área Total Construída

Áreas Verdes

Área privativa

19.979,42 m²

26.618,44m²

4.656,44m²

49,05 m²

Construtora: Pejota Construções e Terraplanagem Ltda

Fonte: Vivver Ulysses, 2020

A previsão de inauguração do empreendimento está marcada para Agosto de 2020 e a entrega para 2023. O valor do CUB (Custo Unitário Básico) adotado foi o do mês de março de 2017, conforme consulta feita ao Sindicato da indústria da construção (SINDUSCON), o qual foi taxado para um empreendimento de porte médio o valor de R$ 1.103,96/m².

Considerou-se que cada apartamento teria o tamanho médio padrão de 50m², multiplicando esse valor pelo total de apartamentos, chega-se ao valor da área destinada às habitações: 23.600,00 m². Dessa forma, para área sociais restou o total de 3.018,44 m².

As despesas são representadas pelo custo de construção estipuladas para cada mês de acordo com o cronograma físico-financeiro, custos de corretagem, considerado de 4% sobre o valor de venda de cada apartamento e custo com marketing e publicidade, considerado de 2% do valor médio do apartamento, além de encargos administrativos.

Sobre o faturamento, vai incidir os seguintes impostos: PIS, COFINS e CPMF, totalizando 3,65%. Optou-se pelo Lucro presumido como parâmetro de apuração. As receitas são representadas pelas vendas e pagamentos das parcelas dos apartamentos em cada mês de acordo com o valor e época de venda. Para cada apartamento, definiu-se um valor médio de R$ 200.000,00. No quadro abaixo, apresenta-se o mark-up do empreendimento.

Quadro 02: Mark-Up do empreendimento

Resultado estático e mark up do empreendimento

%  rec b

valor

Receita bruta de vendas (apenas das unidades destinadas a venda)

100,0%

R$ 87.593.760

Tributos incidentes diretamente sobre a receita bruta

-3,7%

(R$ 3.197.172)

Receita Líquida

96,4%

R$ 84.396.588

Custo de construção

-33,5%

(R$ 29.385.799)

Despesas com a regularização do terreno

-0,1%

(R$ 118.741)

Despesas com obtenção do alvará e registro da incorporação

0,0%

(R$ 5.000)

Despesas comerciais, comunicação e administrativas

-12,0%

(R$ 10.511.251)

Total de Custos e Despesas Operacionais

-45,7%

(R$ 40.020.792)

Resultado Operacional

50,7%

R$ 44.375.796

Fonte: Autores, 2020

Estipulou-se para parcelamento um prazo máximo de 48 meses, o qual seria diminuído na medida em que a obras adiantassem. Além disso, foi estabelecido uma entrada equivalente a 25% do valor do apartamento. No próximo capitulo, apresenta-se os indicadores econômicos e os diferentes cenários desenvolvidos.

 

4.2 Indicadores Econômicos

Através das simulações de cenários, buscou-se avaliar a melhor opção de comercialização, que possa gerar maior retorno para o investidor ou para a construtora, em comparação com uma taxa mínima de atratividade (TMA). O estudo é fundamentado na Taxa Interna de Retorno (TIR), Valor Presente Líquido (VPL) e no Prazo de Recuperação dos Investimentos (PAYBACK). Utiliza-se, para fins de comparação no estudo de viabilidade econômica.  

A taxa mínima de atratividade foi estipulada em 1,8% a.m, sendo considerado um valor tecnicamente atrativo para esse tipo de investimento. No cenário base, a aquisição do terreno ocorre no período zero, e o início simultâneo dos custos com publicidade, construção do empreendimento e vendas dos apartamentos. As vendas dos imóveis foram consideradas em uma velocidade constante distribuída durante os 42 meses de construção, sendo uma velocidade de, em média, 11,2 unidades por mês.

Nesse cenário, já é possível se verificar resultados positivos, conforme pode se analisar no quadro (03). A Taxa de retorno é de 130%, o valor presente líquido é positivo e o payback se consolida no 24º mês.

Quadro 04: Indicadores do cenário base

Indicadores de Performance Financeira

Taxa mínima atratividade - TMA

24,00% a.a.

1,81% a.m.

Indicador

Operacional

Contábil

Exposição máxima de caixa (VP)

mês de ocorrência

-R$ 11.860.623

18 º

-R$ 12.397.792

18 º

Taxa Interna de Retorno - TIR

130,16% a.a.

121,35% a.a.

Valor Presente Líquido - VPL

R$ 22.431.136

R$ 20.761.903

Payback (mês de ocorrência)

24 º

24 º

Taxa de Rentabilidade - TR

62,7%

55,4%

Fonte: Autores, 2020

Dentro desse cenário, também buscou-se fazer projeções caso houvesse variação do custo, tanto para um valor mais elevado, como inferior ao previsto. Esses dados são apresentados na figura (03).


Figura 03: Possíveis cenários para variação dos custos.

Fonte: Autores, 2020

Pode-se imaginar um cenário ainda mais otimista, onde a partir da promoção do estabelecimento se consiga atingir melhores metas de vendas. Suponha-se, por exemplo, que 6 meses de iniciar a construção, desenvolva-se um ótimo trabalho de marketing e as unidades começam a ser vendidas a partir do quarto mês de publicidade (período 3) e concluídas as até o sétimo mês de construção (período 12).

Quadro 04: Indicadores do cenário otimista

Indicadores de Performance Financeira

Taxa mínima atratividade - TMA

24,00% a.a.

1,81% a.m.

Indicador

Operacional

Contábil

Exposição máxima de caixa (VP)

-R$ 1.720.238

-R$ 1.879.868

mês de ocorrência

5 º

7 º

Taxa Interna de Retorno - TIR

1178,91% a.a.

1001,92% a.a.

Valor Presente Líquido - VPL

R$ 30.908.093

R$ 28.959.166

Payback (mês de ocorrência)

12 º

12 º

Taxa de Rentabilidade - TR

85,6%

76,1%



Fonte: Autores, 2020

 

Nesse cenário, é possível se verificar resultados muito bom, conforme pode se analisar no quadro (04). A Taxa de retorno é de 1.178,91% a.a , o valor presente líquido é positivo e o payback se consolida no 12º mês.

No cenário pessimista, as vendas não vão muito bem e até a inauguração do empreendimento apenas 75% dos apartamentos foram vendidos. Com isso, no quadro 05, observa-se que nesse cenário os resultados trazem um pouco de preocupação. A Taxa de retorno é de 53.38% a.a, porém o valor presente continua positivo e o payback se consolida no 38º mês.

 

Quadro 05: Indicadores do cenário otimista

Indicadores de Performance Financeira

Taxa mínima atratividade - TMA

24,00% a.a.

1,81% a.m.

Indicador

Operacional

Contábil

Exposição máxima de caixa (VP)

-R$ 18.821.796

-R$ 19.149.274

mês de ocorrência

18 º

18 º

Taxa Interna de Retorno - TIR

57,38% a.a.

53,82% a.a.

Valor Presente Líquido - VPL

R$ 13.278.783

R$ 11.901.270

Payback (mês de ocorrência)

38 º

40 º

Taxa de Rentabilidade - TR

37,2%

32,1%

Fonte: Autores, 2020

No cenário pessimista, verifica-se situação delicada no que se refere ao projeto. Dentre os possíveis motivos para os valores encontrados, destaca-se o período de vendas dos imóveis, que influenciou de forma negativa os retornos do empreendimento. Nesse cenário, as receitas das vendas ocorrem ao final da obra, o que requer um alto capital para manter os investimentos necessários ao pagamento dos custos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi realizada a análise da viabilidade econômica da construção empreendimento Vivver Ulysses em Salvador, conforme condições estimadas de custos e receitas, preços de vendas avaliados e as taxas de desconto consideradas, indicam que a construção do empreendimento tende a ser economicamente viável.

Observa-se que a distribuição das vendas interfere diretamente no período de payback de cada cenário considerado de modo que, quanto mais postergadas as vendas, mais tempo é necessário para que ocorra o retorno dos investimentos realizados.

Como apontado pela bibliografia, percebe-se que um estudo de viabilidade financeira realmente lida com algum grau de incerteza o qual, mesmo reduzida através de detalhados estudos de mercado, não deixa de existir. Vale a análise dos dado, mas o conhecimento do mercado que se deseja atender também é importante, com isso, realizar um planejamento sistêmico, permite avaliar com maior clareza possíveis retornos financeiros.

Quanto aos objetivos, mesmo com as dificuldades inerentes ao tema das analises financeiras, acredita-se que foi capaz de atingi-los. Por fim, ressalta-se a importância para o desenvolvimento acadêmico e profissional a partir da elaboração deste trabalho, uma vez que proporcionou um maior conhecimento prático sobre os empreendimentos imobiliários, um mercado em expansão e que pode ser local de desenvolvimento profissional para engenheiros de produção.

 

REFERÊNCIAS

 SAMANEZ, Carlos Patrício. Engenharia Econômica. São Paulo: Prentice Hall, 2009. 224 p.

PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 5º Edição Pennsylvania: PMBOK®, 2013. 567 p.

FERREIRA, Marcelo. Engenharia Econômica descomplicada. Curitiba: Intersaberes, 2017. 190 p.

GITMAN, Lawrence J.; JOEHNK, Michael D. Princípios de Investimentos. 8. ed. São Paulo: Pearson, 2005. 456 p.

 ARAUJO, Luana Leal Fernandes; NOBREGA JUNIOR, Claudino Lins. ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICA DE UM EDIFÍCIO RESIDENCIAL MULTIFAMILIAR EM JOÃO PESSOA-PB. Enegep, Joinvile, p. 1-26, 13 out. 2017. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_240_390_34465.pdf>. Acesso em: 04 out. 2020.

DUARTE, Antonio Marcos. Gestão de riscos: para fundos de investimento. São Paulo: Pearson, 2005. 216 p.

GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas S.A, 2002. 176 p.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas S.A, 2003. 310 p.

ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e Análise de Balanços: Um Enfoque Econômico-Financeiro. São Paulo: Atlas, 2010.

GOLDMAN, P. Viabilidade de Empreendimentos imobiliários: modelagem técnica, orçamento e risco de incorporação. São Paulo: Pini, 2015.

SOUZA, Almir Ferreira. Avaliação de Investimentos. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.

BORDEUAX-REGÔ, R. Viabilidade Econômica Financeira de Projetos. Rio de Janeiro: FGV , 2ª ed., 2009

 

 

 

¹ Graduando em Engenharia de Produção na Universidade Salvador. E-mail: ivonei_12@hotmail.com

² Graduanda em Engenharia de Produção na Universidade Salvador. E-mail: mariacarolpj@gmail.com

³ Professora Adjunto da Universidade Salvador Doutora em Planejamento Territorial e

Desenvolvimento Social. E-mail regina.jesus@unifacs.br

 
 
 

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