Quando o preconceito mata em silêncio: o caso Ygona Moura e o reflexo de uma sociedade desumana
- Your Tutor TCC

- 13 de jul.
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Igona Moura, mulher trans e ativista, estava vivendo em um abrigo durante a pandemia, um período já difícil para a população LGBTQIA+, principalmente para pessoas trans, que frequentemente enfrentam exclusão social, falta de emprego e moradia.
Durante esse período, alguém mal-intencionado obteve o endereço do abrigo onde Igona estava e começou a fazer pedidos em aplicativos de entrega usando seu nome, mandando entregadores para o local de forma repetida. Igona perdeu seu único espaço de abrigo em plena pandemia, ficando exposta ao risco, à insegurança alimentar, e à marginalização — tudo por uma ação cruel, orquestrada digitalmente. Seus dados pessoais foram usados para orquestrar assédio físico e psicológico.
Esse não é apenas um caso de “fatalidade”. É uma morte com múltiplas camadas de responsabilidade social, política e institucional. A transfobia empurrou Igona para a exclusão. A negligência a expulsou do acolhimento.
Num contexto de tanto descaso, perseguição e ausência de políticas públicas, é compreensível que haja desconfiança até mesmo sobre a causa oficial da morte. Pedir uma autópsia, nesses casos, não é apenas uma formalidade: é um ato de justiça, principalmente para populações sistematicamente invisibilizadas.
O caso de Igona mostra como as plataformas digitais precisam ser responsabilizadas quando usadas como ferramentas de violência. Também escancara a urgência de políticas públicas de proteção para pessoas trans, principalmente em contextos emergenciais como pandemias e situações de rua.
Mais do que isso: esse é um chamado para a sociedade discutir o direito digital, a privacidade de dados, a transfobia estrutural e a forma como o preconceito se atualiza em ambientes tecnológicos.
Diante das circunstâncias, é legítimo levantar dúvidas sobre o tratamento que recebeu durante a internação. Em um cenário onde o preconceito já havia comprometido sua segurança e saúde mental, não seria desproporcional que a sociedade civil exigisse mais transparência sobre sua causa de morte. Ygona não era apenas uma influenciadora ou um rosto conhecido nas redes — ela representava milhares de corpos trans e periféricos que diariamente são negados, silenciados e descartados.
O caso revela um tipo de violência estrutural e digital que se retroalimenta: o ódio que começa nos comentários virtuais migra para ações concretas e termina na exclusão social e institucional. A comoção pública que se seguiu à sua morte não deve servir apenas como lamento, mas como alerta para o modo como nossa sociedade trata os mais vulneráveis. Ygona é símbolo de uma luta urgente, que não pode mais ser adiada.
Veja o vídeo onde Ygona denuncia, abaixo:





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